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Cigarro eletrônico: uma decisão de vida ou morte nas mãos da Anvisa

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Nos Estados Unidos, onde o "vape" foi liberado, ocorreu uma epidemia de mortes entre jovens. O Brasil não precisa disso - Jose Luis Magana / AFP
O setor lucra US$ 62 bilhões ao ano, mas as vendas estão em queda. A aposta é o cigarro eletrônico

A indústria do cigarro sempre teve uma relação emocional com o consumidor. Na época em que a publicidade era permitida nos meios de comunicação, o marketing de estilo de vida era associado ao que há de melhor: alegria, esporte, aventura, vida saudável, casais apaixonados em praias paradisíacas.

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Fumar era o que havia de mais libertário e inclusivo para um jovem que saia da adolescência. Era o falso discurso da livre escolha.

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Essa história nos foi contada, durante décadas, pela propaganda de cigarro. O mais absurdo é que o setor do fumo está tentando, mais uma vez, nos empurrar essa mesma ladainha. Agora inclui também a tecnologia, o dispositivo eletrônico, que tanto atrai os jovens.

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Indústria da morte

As pesquisas científicas mostraram que os tais jovens, livres e felizes na propaganda, quando ficaram adultos, morreram por causa do cigarro. Agonizaram até à morte em leitos de hospitais ao redor do mundo.

O cigarro matou – e segue matando de forma brutal – milhões de pessoas.

Ao longo da vida, cada fumante pagará, à sua marca de cigarros, o equivalente a um automóvel zero quilômetro de médio porte. Depositará, todos os dias, a parcelinha do vício que causará a sua morte. No mundo, a indústria do cigarro tem um lucro anual de US$ 62 bilhões.

O lucro do setor é astronômico, mas as vendas estão em queda. Para reverter a tendência, a aposta é o cigarro eletrônico, o chamado “vape”, aprovado em alguns países.

No Brasil, a venda é proibida, mas a indústria quer liberar. A decisão está nas mãos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Não importa, para as empresas de fumo, a quantidade de cadáveres que se empilharão país afora, resultado do consumo das substâncias letais contidas nessa geringonça.

A indústria do fumo quer seguir lucrando e matando. Não mede esforços para alcançar seus objetivos.

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Uma indústria genocida

Com o vape, a indústria do fumo retoma o velho estilo do marketing de estilo de vida: patrocina festas e paga youtubers e influenciadores digitais para vender o conceito de livre escolha, de liberdade, de que o vape não faz tão mal à saúde, o que é uma tremenda mentira.

Em outra frente, a indústria financia “trols” para operar nas redes sociais e tentar desestabilizar o debate. Sim, eles também têm o seu próprio gabinete do ódio. A falta de ética e o baixo nível do setor de fumo não tem limites. É assim no mundo todo.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o Brasil gasta R$ 57 bilhões ao ano com despesas médicas relacionadas ao fumo. Esse dinheiro poderia estar sendo investido em outras questões de saúde pública, como o combate à covid-19. Todos os dias, no Brasil, morrem 428 pessoas por causa do tabagismo.

A indústria do cigarro usa a mesma ladainha que usou no passado, quando influenciou, pelas suas propagandas, milhões de pessoas.

Não há nem liberdade nem direito de escolha em um cigarro, seja ele de papel ou eletrônico. Só há dor, morte, tristeza, agonia.

A indústria do cigarro promoveu genocídios em série ao longo de décadas. Isso precisa terminar. O mundo está demasiado carregado de problemas para conviver com o cigarro eletrônico.

Nos Estados Unidos, onde o vapefoi liberado, ocorreu uma epidemia de mortes entre jovens. O Brasil não precisa disso.

A decisão da Anvisa

Os fabricantes de cigarros têm pressionado a Anvisa para liberar o comércio dos vapes e similares. Para fazer frente a essa pressão, duas organizações lançaram a campanha #VapeVicia: A ACT Promoção da Saúde e a Associação Médica Brasileira (AMB). Foi criado um site de internet especialmente dedicado ao tema.

Você também pode seguir a ACT e a AMB nas redes sociais.

Ajude a evitar mais essa tragédia na vida brasileira. Marque a Anvisa nas postagens e peça que a agência atue com responsabilidade.

Cigarro eletrônico mata. O vapemata. É absolutamente incoerente liberar o comércio dessa geringonça em uma época que o mundo tenta salvar a si mesmo das novas e perigosas ameaças que chegam em decorrência da degradação do planeta, como é o caso do novo coronavírus.

Edição: Rodrigo Chagas


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