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Pandemia

Variantes da covid-19 surgiram primeiro em pacientes imunodeprimidos, diz estudo

Menor capacidade de conter a multiplicação do vírus aumenta as chances de novas mutações

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O estudo reforça que imunodeprimidos devem ser imunizados prioritariamente e em períodos curtos de tempo. - AFP

Umestudo publicado em julho na revista Fronteiras em Microbiologia – fundada por dois neurocientistas da Suíça – mostrou que as variantes de preocupação da covid-19, como ômicron, gama e alfa, surgiram primeiramente em indivíduos imunodeprimidos, como pacientes de câncer, logo no início da pandemia.  

De acordo com a pesquisa, como há menor capacidade de conter a multiplicação do vírus em pessoas imunossuprimidas, o vírus se multiplica com mais facilidade e, portanto, tem mais chances de acumular novas mutações. Nesse sentido, o estudo reforça que imunodeprimidos devem ser imunizados prioritariamente e em períodos curtos de tempo.  

Segundo Marcelo Soares, pesquisador do Instituto Nacional do Câncer e um dos autores do estudo, “a geração de variantes do SARS-CoV-2 em indivíduos imunossuprimidos era uma hipótese que existia há algum tempo, tanto em pessoas com alguma doença de base como pessoas transplantadas em uso de agentes imunossupressores”. “Nós mesmos publicamos no início da pandemia um trabalho mostrando que pacientes com câncer eram suscetíveis a ter mais variações nas suas sequências dos vírus infectantes”, afirma Soares.  

A novidade apresentada pelo estudo é a confirmação de que as variantes de preocupação foram encontradas em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 lá do início da pandemia. “Nós achamos pacientes com câncer, ou seja, com uma doença de base que confere imunossupressão, que tinham as mutações que a gente observa hoje com a ômicron”, afirma Soares. 

“O nosso trabalho mostra pela primeira vez uma corroboração de que aquelas mutações que ocorrem nas variantes de preocupação, mesmo as variantes mais modernas que a gente só observa agora em 2022, como a ômicron, já estão presentes em indivíduos, estão constantemente sendo geradas em vírus em indivíduos imunossuprimidos.” 

“Nosso trabalho está trazendo pela primeira vez”, afirma Soares, “a ideia de que as variantes de preocupação surgiram nesses indivíduos, com uma demonstração experimental e com dados efetivos”, diz. 

O que são pessoas imunossuprimidas? 

O pesquisador explica que pessoas imunossuprimidas são aquelas que possuem algum grau de comprometimento do sistema imunológico. O motivo para tal enfraquecimento é variado: pode ser decorrente de uma doença que interfira no sistema imunológico, como a infecção por HIV e câncer. 

A imunossupressão também pode ser causada por algum agente indutor. “Pessoas recém-transplantadas, por exemplo, estão em uso de medicamentos imunossupressores, que são utilizados para impedir a rejeição daquele órgão transplantado. Essas pessoas, então, acabam tendo o sistema imunológico silenciado ou diminuído fortemente por ação dessas drogas”, explica o pesquisador. 

Medidas não farmacológicas continuam importantes 

A partir dos resultados encontrados, Soares reforça a importância das medidas não farmacológicas, como uso de máscaras e distanciamento social, e da imunização frequente de pacientes imunodeprimidos contra a covid-19. 

Por isso o médico reforça, por exemplo, o uso de máscaras em lugares onde tenha maior concentração de imunodeprimidos, portanto, de maior risco, como clínicas. “Pessoas com imunossupressão devem continuar usando essas medidas não farmacológicas para não se infectar ou não espalhar a sua infecção caso sejam infectadas a outras pessoas”, diz. 

“O que os especialistas ainda recomendam é que particularmente em ambientes onde tem pessoas com comorbidades ou imunossuprimidas, como hospitais, clínicas de saúde, postos de atendimento à saúde, a gente deve continuar usando a máscara”, conclui Soares.

Edição: Rodrigo Durão Coelho


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